segunda-feira, 24 de agosto de 2015

58 - Os doze trabalhos (Ricardo Elias) – 15.06.2015
Houve alienação nos doze trabalhos realizados por Hércules? O destino a que os homens estão submetidos, por conta dos desígnios divinos, podem ser comparados à alienação? Mas quem são os deuses, senão os grandes alienadores, exploradores da força vital da humanidade? E no mundo humano, pré-capitalista, havia alienação?  Sim, mas antes a alienação não era total, pois os trabalhadores tinham o saber, o conhecimento, a técnica para realizar seu ofício. Nos últimos 200 anos, os processos de produção foram manipulados de um modo tão completo e complexo que o trabalhador perdeu seu saber diante do ofício que desempenha diariamente, ininterruptamente. Desse modo, torna-se máquina, objeto, realizando funções sem saber porque, desconhecendo, inclusive, a finalidade de seu trabalho. É o que vemos ao longo desse filme. Herácles, o jovem motoboy, analogamente ao mito grego, realiza doze trabalhos, doze tarefas, mas agora, não como um deus ou um herói trágico: Herácles é um garoto, um-quase-homem em busca de aceitação, de redenção, de integração na sociedade após passar tempo detido na FEBEM. Herácles realiza suas entregas, utilizando a imaginação para fugir da alienação total que lhe é imposta por um modelo de trabalho que nada lhe significa, a não ser ganhar o seu pão diário. Herácles é uma engrenagem num sistema pérfido, frio, imoral. Uma peça que pode ser facilmente substituída caso quebre ou dê algum tipo de defeito. Assim é o capitalismo. Bom filme. Nota: 8,56.







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