sábado, 14 de janeiro de 2017

09 - O novíssimo testamento (Jaco van Dormael)

O novíssimo testamento (2015) - Dir. Jaco van Dormael (14.01.2017)

Uma comédia intrigante, sensível e fantástica sobre a mitologia cristã, e sobretudo, sobre nós, seres humanos, nossas vidas, desejos, escolhas, projetos, relacionamentos e morte. Um pouco mamão com açúcar, mas é um bom filme. Nota: 8,0.



08- Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo (Claude Chabrol)

Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo (1994) - Dir. Claude Chabrol - 13.01.2017

"Ciúme. Sentimento que nasce no amor e que é produzido pelo temor de que a pessoa amada prefira um outro. (Littré)" (BARTHES, R. Fragmentos do discurso amoroso)

Chabrol retoma o projeto de Clouzot e constrói uma curiosa obra sobre o ciúme, esse sentimento tão incompreendido, desconcertante e demasiado. O ciumento, Paul, no caso, é um ser transbordante: instigado pela sua imaginação fértil, por sua insegurança latente, e por sua desconfiança cínica na realidade, exagera em seus atos, em suas reações, em sua irrefreável busca por uma verdade que só a ele convém. Flertando com o seu maior medo, o abandono, acaba por transformá-lo em fantasia, em desejo, e suas ações desmedidas tendem à concretização desse medo/fantasma. Dessa forma, o que era amor se transforma em fiscalização, o carinho se transmuta em desconfiança e agressividade, o respeito se transfaz em possessão.

Um filme claro, objetivo, sem delongas e superfluidades, sem romantismos e idealismos. Apresenta o interior das relações amorosas prejudicadas pelo ciúmes demasiado. Vale assistir. Nota: 8,25.


07 - Jovem e bela (François Ozon)

Jovem e bela (2013) - Dir. François Ozon (12.01.2017)

Um filme envolvente, cheio de referências a Freud e à psicanálise, mostra a iniciação sexual de Isabelle, a jovem e bela protagonista, que encontra no sexo um meio de suprir seu vazio afetivo e existencial. Apesar da temática sexual, não há apelo erótico ou espetacularização do sexo. O filme concentra-se na angústia da garota, seus dramas e contradições, e nas consequências individuais e sociais resultantes de suas práticas sexuais. O ponto central, e aí Freud surge com muita força, é a relação edípica e incestuosa da família. Bonito. Nota: 8,5.


06 - Roma, cidade aberta (Roberto Rossellini)

Roma, cidade aberta (1945) - Dir. Roberto Rossellini (11.01.2017)

Molto bello!  Ótimo roteiro, grandes interpretações, enquadramentos interessantíssimos, fotografia marcante. Um clássico! Nota: 9,12.




segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

05 - Eu, Daniel Blake - Ken Loach

Eu, Daniel Blake (2016) - Dir. Ken Loach (08.01.2017)

O neoliberalismo vem destruindo, em nome do lucro, toda e qualquer possibilidade de existência do welfare state. Direitos trabalhistas, previdenciários, políticos, humanos e civis estão sendo esfacelados pelo monstro devorador de dinheiro. Ainda há humanidade na humanidade? Sim. Solidariedade, altruísmo e resistência são palavras-chave na difícil luta pela vida, individual e global. Ou iremos sucumbir frente às dificuldades impostas pelo vampirismo político e econômico denominado "capitalismo"? Para pensar....    Nota: 9,5


04 - O dinheiro (Robert Bresson)

O dinheiro (1983). Dir. Robert Bresson - 06.01.2017

Ao receber uma nota falsa, utilizá-la sem perceber e ser preso por isso, um jovem trabalhador entra em vertiginoso declínio, perdendo sua família, sua liberdade, sua dignidade, sua sanidade. Uma crítica à democracia capitalista e às suas consequências nefastas. Grande filme. Nota: 9,0.




03 - O dia em que a terra parou (Robert Wise)

O dia em que a terra parou  (1951) - Dir. Robert Wise (04.01.2017)

Um alienígena de forma humana vem à Terra com o intuito de deixar uma mensagem pacifista à humanidade. Logicamente, ele passa a ser perseguido pelo governo americano. Crítica explícita à Guerra Fria. Filme interessante. Nota: 8,123.


02- Janela Indiscreta (Alfred Hitchcock)

Janela Indiscreta (1954) - Alfred Hitchcock - 02.01.2017

Um dos filmes mais divertidos e filosóficos de Hitchcock, não apenas pela trama, que misteriosa, prende a atenção do espectador, mas principalmente por sua construção metafórica e metalinguística. Além da narrativa criminal, o diretor nos convida a refletir, ainda que indiretamente, sobre a fotografia e o cinema, artes que têm a imagem como substrato. Jeffries, o fotógrafo imobilizado, assiste aos acontecimento da vizinhança como um espectador televisivo, um cinegrafista ou um fotógrafo. Em seu campo de visão, cada janela é uma tela, onde cenas e atos se desenrolam livremente, sem que ele possa intervir. Até que ele resolve intervir....

Assim, questionamos: aquilo que vemos por intermédio de artefatos, como a câmera fotográfica ou a câmera de vídeo, é mera representação da realidade? Qual realidade o filme representa? Qual realidade o filme retrata? O cinema simula ou emula a realidade? E qual é a função do olhar na vida humana? E como avaliar, a partir de critérios lógico-racionais, o que se vê? E qual é a função da imaginação na construção de discursos verdadeiros, erigidos a partir de fragmentos?
Enfim, grande filme! Nota: 9,0.




01 - Trapaceiros - (Woody Allen)

Trapaceiros (2000) - Dir. Woody Allen - 01.01.2017

Não está entre os melhores filmes do Woody, entretanto, divertido. Nota: 6,66.