52- Samba (Olivier Nakache, Eric
Toledano) – 18.07.2015
Imagine
sair de sua casa, de seu bairro, de sua cidade, de seu país, deixando para trás
família, amigos, lembranças, etc, para ir morar muito longe, em busca de
trabalho e dinheiro. E ao chegar lá, se deparar com ofícios indignos,
rejeitados pela população local, subvalorizados
social e monetariamente. Adicione a isso um tratamento desprezível que
lhe será concedido, uma invisibilidade social e a noção, oculta ou manifesta, de que você é um invasor e que ali está para usurpar o trabalho de um
nativo. Bom, alguém precisa fazer o trabalho sujo, certo? Mas por quê o trabalho “sujo”
precisa ser depreciado? E pensar que seu país de origem foi explorado, teve
suas riquezas sorvidas, seus antepassados escravizados, e depois, abandonado a
esmo, sem estrutura, em frangalhos. Hoje, aqueles para quem você trabalha e que estão "bem de vida", os mesmos que te olham com desprezo ou fingem não te ver, estariam nessa situação confortável se no passado não tivessem saqueado a sua terra
natal? Perguntas complexas, respostas indefinidas. O que fazer? Invadir os antigos colonizadores, roubar-lhes os postos de
trabalhos, usufruir de sua imaginária sociedade “igualitária”, civilizada? Fingir superioridade? Humilhar-se para manter sua sobrevivência? Enfim... O filme Samba
me fez pensar nisso e em outras coisas mais. Um bom filme. Consegue apresentar
a delicada situação dos imigrantes na França, porém sem tanto drama, com
pitadas de comédia e até de romance. Nota: 9,0.
