quarta-feira, 5 de agosto de 2015


52- Samba (Olivier Nakache, Eric Toledano) – 18.07.2015

Imagine sair de sua casa, de seu bairro, de sua cidade, de seu país, deixando para trás família, amigos, lembranças, etc, para ir morar muito longe, em busca de trabalho e dinheiro. E ao chegar lá, se deparar com ofícios indignos, rejeitados pela população local, subvalorizados  social e monetariamente. Adicione a isso um tratamento desprezível que lhe será concedido, uma invisibilidade social e a noção, oculta ou manifesta, de que você é um invasor e que ali está para usurpar o trabalho de um nativo. Bom, alguém precisa fazer o trabalho sujo, certo? Mas por quê o trabalho “sujo” precisa ser depreciado? E pensar que seu país de origem foi explorado, teve suas riquezas sorvidas, seus antepassados escravizados, e depois, abandonado a esmo, sem estrutura, em frangalhos. Hoje, aqueles para quem você trabalha e que estão "bem de vida", os mesmos que te olham com desprezo ou fingem não te ver, estariam nessa situação confortável se no passado não tivessem saqueado a sua terra natal? Perguntas complexas, respostas indefinidas. O que fazer? Invadir os antigos colonizadores, roubar-lhes os postos de trabalhos, usufruir de sua imaginária sociedade “igualitária”, civilizada? Fingir superioridade? Humilhar-se para manter sua sobrevivência? Enfim... O filme Samba me fez pensar nisso e em outras coisas mais. Um bom filme. Consegue apresentar a delicada situação dos imigrantes na França, porém sem tanto drama, com pitadas de comédia e até de romance. Nota: 9,0.


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