86 – Drácula (Francis Ford
Coppola) – 19.12.2015
Ao
longo da história, o amor, esse sentimento tão belo e incompreendido, causa de
muitas ações, ora dignas, ora estúpidas, foi apresentado por filósofos, poetas e letrados dos mais abundantes e variados modos. Lembro das múltiplas formas de amor, no
Banquete de Platão, dentre as quais destaco o discurso mítico de Aristófanes,
aquele do amor cindido, dos seres divididos, em busca eterna de sua metade perdida. Lembro do amor tranquilo, bucólico e sereno de Alberto Caeiro. O amor lírico e
profundo de Camões. O amor "sem razão" de Drummond. E o amor romântico, obsessivo, transbordante e enlouquecedor no Werther de Goethe. Acredito que Bram Stocker siga a linha da Sturm und Drang de Goethe, ou seja, é um filho do romantismo. E das incontáveis versões
desta história para o cinema, a de Coppola é certamente a mais marcante. O
filme ultrapassa, e muito, o gênero “terror”. É um "romance", peça da melhor tradição
do romantismo. Aqui, o vilão, que também é herói, um anti-herói, é preciso dizer, é apresentado antagonicamente como um ser monstruoso e cruel, embora profundamente sentimental, desvairado por
sua paixão, desorientado por sua obsessão, alucinado por seu sentimento incontrolável. Drácula deseja Mina, que vacila, deseja-o, mas não o deseja,
enfeitiçada pelo poder inebriante e sombrio do príncipe das trevas. Amor,
erotismo, enfim, o vampirismo que transcende o sangue, que desabrocha o coração,
que fora retomado e estragado por publicações recentes, vigora neste excelente
trabalho. A pura expressão do amor romântico (que não é a única forma possível de amor, vale ressaltar) no cinema. Magistral. Grande
trilha, excelente fotografia e ótima atuação de Gary Oldman completam a obra. Assistam! Nota: 9,99.

Assistir: http://www.filmesonline2.com/dracula-de-bram-stoker-hd-720p/